Matéria publicada pela Revista Vida do JB

Matéria publicada em 25 de setembro de 2004, para a Revista Vida, do Jornal do Brasil, página 26.

Assinada por Rafael Martí, que gentilmente se voluntariou para trabalhar junto conosco, na produção do nosso Jornal Com Você. Obrigado Rafael!

ONGs investem em terapias
Reiki, homeopatia e florais equilibram a saúde
Especial para o JB

A década de 80 no Brasil, com a democratização, foi marcada pelo boom de ONGs (organizações não-governamentais). Sua maioria servia para defender o meio ambiente, democratizar o acesso à cultura, entre outras ações. Agora, com a popularização das terapias complementares de saúde, bem como uma visão mais zen sobre a vida, é natural que as ONGs também abarquem esse universo.

Uma organização que se destaca no campo é a Homepatia Ação pelo Semelhante, fundada por um grupo de médicos homeopatas, em março de 1999. Com sede em Copacabana, ela surgiu quando esse grupo, que trabalhava em um ambulatório social de uma escola de homeopatia, decidiu ampliar a atuação. Visando à integralidade do paciente, a ONG propõe parcerias com o Estado para levar o tratamento de homeopatia de forma mais efetiva para a rede pública. ”Cuidamos do tratamento de crianças até 4 anos da comunidade do Morro dos Cabritos, atendendo-as na creche comunitária aqui perto”, diz Hylton Sarcimelli Luz, homeopata e presidente da ONG.

Com atenção individualizada, não só as crianças são acompanhadas, mas também os pais, que recebem aulas sobre saúde. De acordo com pesquisa feita entre os pacientes, a aprovação do serviço prestado é grande. A ONG se sustenta com doações e pelo esquema de padrinhos. Pacientes dos médicos voluntários são convidados a adotar uma criança e custear seu tratamento. Pagam R$ 20 por mês. Ela conta também com o apoio de cinco empresas, sendo três farmácias de manipulação.

Ex-empresário da indústria têxtil, João Carlos Melo largou tudo para buscar sua essência. Sentia-se infeliz e se encontrou no reiki, uma terapia complementar que usa a energia das mãos para equilibrar o organismo. Tornou-se terapeuta e passou a dar cursos de formação na terapia. Seu trabalho o levou até Portugal, onde vai quatro vezes por ano.

Uma noite, sonhou com uma instituição social ligada ao reiki. Há pouco mais de um ano o sonho se tornou real. A ONG Reiki Com Você, fundada em maio de 2003, desenvolve o projeto Quem dança é mais feliz, cujo objetivo é socializar crianças portadoras de necessidades especiais, sejam elas físicas, mentais ou de ordem material, através da dança.

Outra ação da ONG é o Saúde-se, que viabiliza terapias complementares como shiatsu, auricoloterapia, terapia floral, reflexologia, além do reiki, a preços populares - quem não pode, não paga. Há ainda o Novo Amanhã em fase de implementação, que pretende capacitar 80 jovens de 14 a 21 anos, de comunidades carentes, para serem cidadãos e bons profissionias. ”Não é uma oficina, buscamos preparar o indivíduo. Esse projeto está submetido à Petrobrás e estamos aguardando a resposta”, diz João Carlos.

A Reiki com Você ainda não é auto-sustentável. Apesar de a sede, que funciona no Grajaú, ser própria - foi doada por uma amiga de João Carlos -, as despesas são pagas em sua maioria pelo presidente da organização.

A partir de um drama pessoal, a terapeuta Elisa Cristina Castro encontrou forças para criar a ONG Aflorartte, cujo principal projeto é o Começar de Novo, que trata dependentes químicos com terapias complementares. Elisa havia perdido um namorado e um irmão, já falecido, para as drogas. Essa ex-advogada dedicou-se a estudar Edward Bach e seus florais, tornando-se terapeuta, com formação na França. Após muito pensar e amadurecer a idéia, fundou, com alguns amigos, a Aflorartte.

”Atualmente tratamos oito dependentes químicos, mas temos capacidade de tratar dez pessoas”, diz Elisa. ”Nosso principal objetivo não é simplesmente fazer com que o paciente deixe de se drogar, mas sim que ele encontre dentro de si o motivo que o leva às drogas”, completa.

O tratamento segue a base dos 12 passos do Narcóticos Anônimos. Os remédios são substituídos por terapias complementares. As crises de abstinência são tratadas com acupuntura, florais e reiki, por exemplo.

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